Dialogia e Narrativas

Prof. Gláucio Moro
ghmoro@gmail.com

Tudo é literário?

O que é dialogia?

  • “A vida é dialógica por natureza. Viver significa participar do diálogo.” (Bakhtin, Estética da Criação Verbal)

O que é dialogia

e como vamos raciocinar isso no discurso?
  • Princípio fundamental da linguagem em Bakhtin.
  • Nenhum discurso existe isolado.
  • Todo enunciado é resposta a outros e gera novas respostas.
  • O enunciado é sempre um elo na corrente muito complexa de outros enunciados.

O que é dialogia

Enunciado como unidade da linguagem
  • A língua não se realiza em palavras isoladas
  • Só existe concretamente em enunciados situados
  • O enunciado é sempre um elo na corrente muito complexa de outros enunciados.
  • “O emprego da língua se efetua por meio de enunciados (orais e escritos) concretos e únicos.” (Bakhtin, Estética da Criação Verbal)

O que é dialogia

Compreender é responder:
  • Compreensão nunca é passiva.
  • Entender já é participar do diálogo.
  • “Toda compreensão é prenhe de resposta e, de uma forma ou de outra, gera uma resposta.” (Bakhtin, Estética da Criação Verbal)

O que é dialogia

O sentido entre consciências
  • O sentido não nasce dentro de uma voz isolada.
  • Ele surge no encontro entre sujeitos.
  • “O sentido nasce no ponto de contato entre duas consciências, dois sujeitos.” (Bakhtin, Problemas da Poética de Dostoiévski)

O que é dialogia

A palavra como território comum
  • A narrativa se constrói porque a palavra é partilhada.
  • “A palavra é o território comum entre o locutor e o interlocutor.” (Bakhtin, Marxismo e Filosofia da Linguagem)

O que é dialogia

Ampliação do conceito de dialogia
  • Todo texto é resposta a textos anteriores.
  • Toda narrativa é atravessada por vozes sociais, históricas, culturais.
  • O diálogo está presente mesmo em monólogos ou descrições.
  • Exemplo: Dostoiévski – personagens dialogam sem submissão à voz do narrador.

Do texto para a narrativa interativa

Do texto para a narrativa interativa

  • e na literatura dialogia se dá entre narrador, personagens, autor e leitor…
  • Nos jogos, o jogador entra diretamente nessa corrente dialógica.
  • “O que muda quando o leitor se torna jogador?”

Day of the Tentacle (1993)

  • Três protagonistas em tempos diferentes.
  • presente responde ao passado e projeta o futuro.
  • O jogador costura essas vozes temporais.
  • O enunciado é sempre um elo na corrente muito complexa de outros enunciados

Day of the Tentacle (1993)

Full Throttle (1995)

  • Ben só avança em resposta a gangues, corporações e autoridades.
  • A narrativa é movida pela relação constante com outras vozes e as vozes que ele mesmo coloca para explicar para o jogador elementos da narrativa, da história e do ato de jogar.
  • Todo enunciado é dirigido a alguém, pressupõe um ouvinte, um interlocutor.

Full Throttle (1995)

Grim Fandango (1998)

  • Manny Calavera é movido a sair do seu lugar por meio do diálogo
  • A narrativa é sustentada por esse campo de interações.

Grim Fandango (1998)

O jogador como interlocutor

O jogador como interlocutor

  • O jogador não é espectador passivo.
  • Ele escolhe falas, interpreta respostas e cria novos enunciados.
  • “Compreender é sempre responder. Mesmo o silêncio é uma resposta.”

O jogador como interlocutor

  • a quem Manny ou Ben responde?
  • Que resposta futura o jogo antecipa?
  • Narrativa como corrente de enunciados.

Síntese final

  • Dialogia é a base de toda linguagem.
  • Narrativas não são monólogos.
  • A vida é dialógica por natureza. Viver significa participar do diálogo.” (Bakhtin)

Referência

  • BAKHTIN, Mikhail Estética da Criação Verbal MARTINS FONTES: 2011
  • BAKHTIN, Mikhail Problemas da Poética de Dostoiévski FORENSE UNIVERSITÁRIA: 2010
  • BAKHTIN, Mikhail (VOLOCHÍNOV, V. N.) Marxismo e Filosofia da Linguagem HUCITEC: 2014
  • BRAIT, Beth Bakhtin: dialogismo e construção do sentido EDITORA DA UNICAMP: 2005
  • CLARK, Katerina; HOLQUIST, Michael Mikhail Bakhtin PERSPECTIVA: 2008